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Soneto da Existência

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Aquiescer o sentimento Quando seguir for preciso, Entre o dito e o não dito Disfarçar o olhar atento. Ou será melhor escancarar Esse peito rasgado de dor? Que tênue não evita amor Quando entrega a esbanjar. Tão breve seja a vida, na lida, Sê inteiro no amar, sê guarida; Contente e sem véu, apresentar Firme e suave na luta renhida, Sob o sol da existência sofrida, Em alegre canto a vida desbravar! Por Fernando Lima

Soneto de um país

Meu país é verde e amarelo É distinto, pleno, continental. Negas dia-a-dia o infame brutal. Revela-te tardio, dúbio esmero. Do teu cansaço sonambulante,  O impávido colosso e esplêndido, Eivado de dor, exposto ao vilipêndio.  Caminhas ermo, ente perambulante. Tuas riquezas e teu espólio Dos teus saques, útero vil. Das tuas catacumbas, és pueril! Insólito dissimulas o imbróglio, O ranger dos dentes cibernéticos. Teu labor, tua tese, reje antitético. Fernando Lima